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Foto: PÚBLICO (arquivo)
Ao sobrecarregar as câmaras, o Estado está a sobrecarregar os consumidores, considera a ANMP

Associação Nacional de Municípios aconselha câmaras a não pagar “imposto da água”
11.04.2009
PÚBLICO

A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) terá aconselhado as câmaras municipais a não pagar o “imposto da água” por ser inconstitucional. Segundo o “Diário de Notícias”, o Governo está preocupado e admite mesmo vir a alterar a taxa.

Numa nota interna de 30 de Março, a que o jornal teve acesso, a ANMP aconselha as câmaras a remeter para os tribunais a decisão relativa ao pagamento da Taxa dos Recursos Hídricos, prevista na Lei da Água. Assim, os municípios estão a estudar processos individuais contra o Estado.

A ANMP baseou a sua posição num parecer do constitucionalista José Joaquim Gomes Canotilho sobre a Taxa de Gestão de Resíduos, com características similares, e lembra que a criação do “imposto da água” não foi “autorizada pelo Parlamento”.

Fonte do Ministério do Ambiente disse ao “Diário de Notícias” que já ouviu a possibilidade de as câmaras recorrerem aos tribunais e existe “uma certa preocupação com isso”. O ministério da Rua do Século já manteve conversações com a ANMP e reconheceu que “a taxa carece de alterações e ajustamentos. Em alguns casos a taxa pode estar sobredimensionada”, segundo aquela fonte.

“A água é um bem de todos e, ao sobrecarregar as câmaras, o Estado está a sobrecarregar os consumidores por via indirecta”, comenta Artur Trindade, secretário-geral da ANMP.

A Taxa dos Recursos Hídricos visa compensar “o benefício que resulta da utilização privativa do domínio público hídrico” e os custos ambientais e administrativos inerentes à distribuição de água de qualidade.

  
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