UICN retirou o priôlo da lista das espécies Criticamente em Perigo de Extinção

26.05.2010 - 11:39 Por Helena Geraldes

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A União Mundial de Conservação (UICN) anunciou hoje oficialmente que decidiu retirar o priôlo, dos Açores, da lista das espécies Criticamente em Perigo de Extinção, descendo uma categoria e passando a estar “apenas” em Perigo.
<p>Hoje estima-se que a população de priôlo esteja algures entre os 500 e os 800 casais</p>

Hoje estima-se que a população de priôlo esteja algures entre os 500 e os 800 casais

 (DR)

Os critérios que são avaliados pela UICN são a quantidade de indivíduos, a área de distribuição e as tendências de decréscimo ou de aumento. “No caso do priôlo, foi principalmente o baixo número de indivíduos” que fez a espécie entrar para a categoria de Criticamente em Perigo de Extinção, explicou Luís Costa, director-executivo da Spea (Sociedade portuguesa para o Estudo das Aves).

No início deste século, a população mundial do priôlo (Pyrrhula murina) estava reduzida a um grupo de entre 120 e 140 indivíduos, concentrada num cantinho montanhoso da ilha, nos concelhos do Nordeste e da Povoação. A ave, com 30 gramas e cerca de 16 centímetros de comprimento, estava a desaparecer devido à falta de alimento. A justificação estava no “recuo da floresta Laurissilva e da proliferação das espécies exóticas”, explicou Luís Costa.

Hoje estima-se que a população de priôlo esteja algures entre os 500 e os 800 casais.

Mas as boas notícias não são fruto do acaso. De 2003 a 2008, a Spea conseguiu recuperar 230 hectares de floresta nativa, através do corte e do controlo da vegetação exótica e da plantação de espécies autóctones. Tudo aconteceu no âmbito do projecto europeu LIFE “Recuperação do Habitat do Priolo na Zona de Protecção Especial (ZPE) Pico da Vara/Ribeira do Guilherme”.

“A próxima meta é conseguir recuperar 350 hectares de habitat e chegar aos mil casais”, diz Luís Costa.

Mas sair da categoria Em Perigo e descer para a Vulnerável “já será mais difícil”, considera o responsável. Isso implicaria que a área de distribuição da ave fosse maior. “Mas acontece que o trabalho de recuperação é relativamente lento. O que gostaríamos agora era de manter o estatuto da espécie”.

A decisão anunciada pela UICN faz parte de um trabalho de revisão da sua Lista Vermelha para as Aves, relativa ao ano de 2010. Mas nem tudo são boas notícias. A nova lista confirma a extinção do anatídeo Tachybaptus rufolavatus, de Madagáscar. "Restrita a uma pequena área na zona Este de Madagáscar, esta espécie entrou em rápido declínio depois da introdução de peixes carnívoros nos lagos onde vivem. Isto e o uso de redes finas de pesca, onde as aves ficavam presas e se afogavam, empurrou a espécie para o abismo", conta a Birdlife International em comunicado.

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