Anfíbios: ninguém os via há décadas e agora expedição internacional encontrou-os

22.09.2010 - 11:51 Por PÚBLICO

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Duas espécies de sapos e uma de salamandra foram redescobertas depois de não serem avistadas há várias décadas. Estes são os primeiros resultados de uma expedição internacional que, desde Agosto, está em 18 países à procura de 100 espécies “desaparecidas”.
<p>Esta espécie não era vista desde 1967</p>

Esta espécie não era vista desde 1967

 (Foto: Jos Keilgast/Museu de História Natural da Dinamarca)

Nunca mais se viu uma única salamandra Chiropterotriton mosaueri desde 1941. Esta espécie, que se acredita viver em grutas subterrâneas, foi agora redescoberta por Sean Rovito, da Universidade Nacional Autónoma do México. Vários indivíduos foram encontrados numa gruta de difícil acesso na província de Hidalgo, México.

O sapo Hyperolius nimbae, “desaparecido” desde 1967, foi encontrado pelo cientista N’Goran Kouame, da Universidade de Abobo-Adjame, na Costa do Marfim.

Jos Kielgast, do Museu de História Natural da Dinamarca, encontrou na República Democrática do Congo o sapo Hyperolius sankuruensis, “desaparecido” desde 1979, o ano em que a Sony vendeu o seu primeiro Walkman.

Mas a procura pelas cem espécies, que os cientistas acreditam sobreviverem em pequenas populações, ainda não terminou.

“Apesar de estas descobertas serem motivo de celebração, numa altura em que o mundo prepara a conferência da Convenção sobre Diversidade Biológica a realizar em Nagoya, Japão, no próximo mês, também alertam para o declínio chocante nas espécies mundiais de anfíbios, registado nas últimas décadas”, escreve a Conservation International, coordenadora das expedições, em comunicado. “Mais de um terço de todos os anfíbios estão ameaçados de extinção”.

Robin Moore, que organizou a missão À procura dos Anfíbios Perdidos, lembra que estas descobertas podem trazer muitos benefícios para as pessoas. “Não sabemos se o estudo destes animais pode levar à descoberta de novos medicamentos, como acontece com outras espécies de anfíbios”. Além disso, “pelo menos um destes animais vive numa área que importa proteger porque fornece água potável a diversas áreas urbanas”, salientou.

“Mas estes animais agora redescobertos são os sortudos. Muitas outras espécies que temos procurado há muito tempo, provavelmente desapareceram para sempre”.

Os resultados finais destas expedições serão apresentados na conferência em Nagoya, onde os Governos vão debater os factores humanos que estão a empurrar as espécies de animais e plantas para a extinção.

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