Centro de Silves recebeu seis novos linces vindos de Espanha

29.12.2010 - 17:51 Por Helena Geraldes

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A população de lince-ibérico de Silves está diferente. Três dos 16 habitantes foram para Espanha e seis novos vieram, no âmbito do programa ibérico de reprodução da espécie em cativeiro, que já está em curso.
<p>Flora, captada hoje por uma câmara de videovigilância</p>

Flora, captada hoje por uma câmara de videovigilância

 (CNRLI)

Em Novembro, os machos Ébano, Eucalipto e Daman foram transferidos do Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro para o Lince-Ibérico (CNRLI), na Herdade das Santinhas, em Silves, para o centro de reprodução de El Acebuche, em Doñana.

O grupo dos novos habitantes é constituído pelas fêmeas Biznaga, Flora e Fruta - com cinco e dois anos de idade - que vieram daquele centro espanhol e do centro Jerez de la Frontera. Os restantes animais - Gamma, Guara e Génesis, todos com menos de um ano de idade - estão em Portugal temporariamente, à espera que fique concluído o quinto centro de reprodução ibérico, em Granadilla.

Segundo o site do Lince-Ibérico do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), Biznaga nasceu em 2005 na Serra Morena (Espanha) e nesse mesmo ano integrou o programa de reprodução em cativeiro. Flora nasceu a 2 de Abril do ano passado, no Centro de El Acebuche, Doñana, e Fruta nasceu a 11 de Abril de 2009 no mesmo centro.

Estas alterações são habituais na preparação da época de reprodução dos 76 linces-ibéricos que vivem em cativeiro em Portugal e Espanha. “O programa decidiu esta distribuição das fêmeas tendo em conta questões genéticas e demográficas”, explicou ao PÚBLICO, Rodrigo Serra, director do CNRLI.

No ano passado, a primeira tentativa de reprodução de linces em Silves, foram formados quatro casais. Este ano são emparelhados oito, sete dos quais já estão juntos. "Biznaga e Éon estão juntos há um mês e entraram em cópula este domingo, tornando-se no primeiro casal a fazê-lo, em todos os centros, nesta época de reprodução", informou Rodrigo Serra.

Mas não se espera que todas as fêmeas consigam reproduzir-se este ano. Das oito fêmeas que participam nesta época reprodutiva, apenas cinco são adultas. Rodrigo Serra espera que as mais novas "aprendam os comportamentos reprodutivos e a estar com um macho". Das cinco fêmeas adultas, apenas uma é considerada experiente, Azahar. A 4 de Abril deste ano deu à luz duas crias mas acabaram por morrer a 11 e a 18 de Abril, porque nasceram com problemas congénitos incompatíveis com a vida.

Além disso, duas das fêmeas - Erica e Espiga - têm uma doença renal, o que pode dificultar os esforços.

Normalmente, as cópulas ocorrem de Dezembro a Fevereiro. As crias nascem entre Março e Abril, depois de cerca de 66 dias de gestação.

Estima-se que existam actualmente apenas cerca de 150 linces-ibéricos (Lynx pardinus); em meados do século XIX seriam cem mil espalhados por toda a Península Ibérica. Hoje a espécie vive em Portugal numa situação de "pré-extinção". O colapso das populações de coelhos, a sua principal presa, a caça indiscriminada e a perda de habitat explicam o cenário.

O objectivo final do programa ibérico de reprodução em cativeiro é conseguir conservar 85 por cento da variabilidade genética existente actualmente na natureza, durante um período de 30 anos. Para tal será preciso um núcleo de 60 linces reprodutores.

A fase seguinte será fazer uma reintrodução gradual dos animais em determinadas áreas consideradas prioritárias. Na verdade, até ao final de 2012, Portugal deverá implementar um programa detalhado para a reintrodução dos animais na natureza, compromisso assumido na assinatura do protocolo de cedência dos linces.

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