Açores: faias e urzes para criar “santuários” de aves marinhas

27.10.2010 - 13:07 Por Helena Geraldes

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Milhares de faias e urzes já começaram a ser plantadas no ilhéu de Vila Franca do Campo, Açores, para recuperar habitats e fazer do arquipélago um “santuário” para aves marinhas, anunciou hoje a Spea (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves).
<p>As primeiras 1800 urzes e 2300 faias já foram plantadas</p>

As primeiras 1800 urzes e 2300 faias já foram plantadas

 (Joaquim Teodósio/Spea)

Mais de quatro mil faias e urzes, árvores e arbustos naturais dos Açores, estão a ser plantadas naquele ilhéu por técnicos ao serviço do projecto “Ilhas Santuário para as Aves Marinhas”, coordenado pela Spea e Secretaria Regional de Ambiente e do Mar.

Hoje, as sementes de plantas nativas dos Açores que foram recolhidas desde 2009 e produzidas em viveiro já têm a dimensão adequada. As primeiras 1800 urzes e 2300 faias “foram plantadas nas zonas do ilhéu de onde tinha sido removida a vegetação exótica infestante”, explica a Spea em comunicado.

Para ajudar a acelerar a recuperação destas áreas foram “espalhadas grandes quantidades de sementes recolhidas este ano”.

A equipa vai monitorizar regularmente a vegetação, acrescentam os responsáveis. "Os trabalhos com aves marinhas, que são aves de vida longa, podendo chegar a viver mais de 40 anos, demoram muitas vezes a mostrar resultados. O mesmo se passa com as plantas endémicas, que são geralmente de crescimento mais lento, e tornam a recuperação de áreas com esta vegetação operações naturalmente demoradas”, lembrou Pedro Geraldes, coordenador do projecto.

“Este é o primeiro passo de uma acção de recuperação dos habitats naturais do ilhéu que pretende diminuir a erosão das zonas altas e melhorar o habitat para a nidificação de aves marinhas”, explicam.

Uma das espécies que beneficiam com a medida é o cagarro (Calonectris diomedea). No âmbito do projecto foram criados em Vila Franca 150 ninhos, uma colónia artificial para atrair as aves para uma zona livre de predadores e que já terá sido local de nidificação no passado.

Os ovos foram postos no final de Maio e nesta altura do ano, os cagarros juvenis preparam-se para sair dos ninhos. Os técnicos da Spea visitaram as áreas de nidificação no Ilhéu de Vila Franca do Campo para avaliar como decorreu esta época de reprodução. Segundo a organização, "foi possível confirmar o bom estado dos novos ninhos, que foram ocupados em zonas que anteriormente se encontravam infestadas por canas”.

Frederico Cardigos, director regional dos Assuntos do Mar, considera estas experiências “muito importantes” e cujos resultados “poderão, em breve, ser massificados para as zonas costeiras dos Açores, nomeadamente no Corvo”.

O ilhéu de Vila Franca é uma das áreas principais de intervenção deste projecto financiado pelo Programa LIFE+ da Comissão Europeia e conta também com o apoio do Clube Naval de Vila Franca do Campo. O projecto termina no final de 2012 e terá sequência no futuro. “É apenas o tiro de partida para instalar novas colónias que, depois, atraiam mais aves”, salientou Pedro Geraldes.

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